A LICENÇA DO BOBO
Pode-se dizer que há no "entretenimento" uma natureza fustigante.
"Fustigante", palavra de origem latim "fustigante". Particípio presente do verbo "fustigãre", que significa "bater com um pedaço de pau", "açoitar" ou "dar uma surra". O termo latino deriva de "Fustis", que significa "acha de lenha", "pedaço de madeira" ou "bastão".
Ou seja, o entretenimento se faz permeado de certa brutalidade, um sentimento revoltante, uma crueza de pele nua, exposta, e um desenvolto cinismo para com os efeitos dele sobre quem assiste - como Diógenes pedindo para que Alexandre o Grande saísse da frente do seu sol matinal, entende? Com uma educadíssima falta de respeito ao poder, a ordem e, acima de tudo, a moral de um conquistador. Talvez por isso eu aposte tanto em obras mais escrachadas, com descompromissos mais intelectuais e, por muitas vezes, entregues a certo erotismo - considerando o "eros" aqui na visão simples da psicanalise, onde isso se torna uma maneira razoável de se dimensionar a vida e suas conexões. Com essa história acima lembro de querer realizar um tipo de sopa narrativa, jogando no mesmo caldeirão o Erotismo que tanto gosto, o Arquétipo do Bobo e sua interminável jornada a beira do abismo e a tradição Moura do Nordeste Brasileiro que exerce grande fascínio sobre mim, obviamente a ideia era modular um álbum em quadrinhos, mas fiquei feliz com o teste que esse "One-Shot" acabou rendendo. Há certo humor constrangedor e punitivo nessas páginas, como se a história pedisse para ser vista com o nariz torcido, que é o tipo de humor que sempre foi, ao longo da história do entretenimento, destinado a três tipos de idiotas; Nobres, Burgueses e Reis - pois à eles assombra o sexo, a vida e leveza ágil de um tolo que dança a beira do abismo.
PARA ENTENDER:
O "Bobo da Corte", também conhecido como bufão ou jester, era um profissional contratado por monarcas e nobres para entreter a corte com piadas, músicas, acrobacias, mímicas e, enfim, qualquer performance que fosse digna de ser assistida.
O "Arlequim (ou Arlecchino) é um dos personagens mais famosos da Commedia Dell'Arte, que consiste num estilo teatral popular que surgiu na Itália no Século XVI.








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